sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Adriano Santana, Deus e a Solidão.



Adriano Santana, Deus e a Solidão.



A India é um país em que parece que não existe Solidão.
As familias são grandes e aconchegadas.
Os trens viajam superlotados nos tetos.
Os templos nunca estão vazios.
Se alguém se sentir solitario, deve ir ao Templo; está sempre cheio e os turistas são um espetaculo para os indianos.
As ruas estão cheias de gente.
Engraçado, ali na India, ninguém era meu parente, no entanto, me sentia sempre acompanhada e com gente interessada em mim.

Hoje, aqui na minha pátria, estou solitária.

Dois grandes cachorros me fazem companhia no escritorio e me ladeando, dois telefones.

A piscina está enchendo, depois de lavada durante o dia.

Se fosse na India, eu iria a um templo. Garanto, que encontraria novidades por lá.

Em Verona, Italia, onde morava com uma amiga e sua turma, ao sair para as ruas medievais de Verona, havia o silencio e o espaço.
A não ser os da minha turma, o resto de Vida em Verona, era o silencio e o Espaço.

Até que criei a imagem de Adriano agora, em pé ao meu lado. Me levantei e dei-lhe um grande abraço.
Não conheço Adriano, não sei como ele é, mas, criei um Adiano para mim, seja como ele for.

Na minha vida passada na India, só havia um momento de solidão: a Estrada.
Aquele caminho do Templo à minha casa, da casa ao Templo.
O mais, era sempre, muita gente e aconchego.
Estou ouvindo, agora, o caseiro assando pãesinhos no forno. Ele vai me trazer aqui no Escritorio daqui a pouco, com um refresco.
Adriano vai me ver comer e beber, mas não vai poder participar do lanche.
Porque estou só?
Porque elegi Deus para o meu grande amante nesta vida. E Deus enche a casa, o jardim,
acompanha minhas preces, me vela ao lado de minha cama quando assisto Tv à noite.
Deus é aquele amado que abraço, posso conversar sobre tudo, sobre minha vida passada na India, e peço sempre opinião sobre o espaço em mim que a Divindade ocupa,
que é uma segunda Vida, que me ampara em tudo e elimina a Morte e a Solidão.
clarisse