sábado, 30 de junho de 2007


Pagina do Diario Espiritual com o Fantasma de Um Amor Passado


Lembra-se daquele dia que em sujos de terra nos rolarmos no
chão da mata, você, com lama na mão direita, amassada,
me dizias:
- Isto poderá acabar um dia?
Eu respondí:
- Não... mas os deuses estão de acordo?
- Você prefere os deuses à mim?
- Não é isso... mas eles são os senhores de nossa vida...
- De tua vida ou da minha?
- De nossa Vida.
- Por que não tenho direito à Posse tua, pelo muito que te amo?
- Isso dá direito a minha posse?
- O meu amor por você pode ser mais sincero que o dos deuses.
- Eu não queria o direito de escolher...
- O que escolherias?
- Qual é a Verdade?
- A Verdade, é o mais sincero em nós... o nosso Amor pode
enfrentar os deuses.
- Os deuses fariam o que quisessem com o nosso Amor...
Construiriam uma Cidade Maravilhosa num Mundo feliz para
se Viver - Um Mundo onde o Amor Verdadeiro fosse o Real
Senso da Alma, um Tesouro do Espirito, nossa Aniquilação
Infinita... sem materialidade, mas espiritualmente a correspon-
dencia do acompanhamento e a ausencia da Solidão que não
tem Espelho para o Reflexo de Nossos Supiros.

sexta-feira, 29 de junho de 2007


Ser como Ser


Tenha o prazer de Ser como você É.
Ouvir recomendações, como: não seja assim... faça assim que é
melhor....
Leia o livro "tal" - ele me fêz muito bem, vai ser bom para
você também...
Os budistas apresentam uma tela de nossa vida passada, para
que "lendo" nessa Tela nos apercebamos como somos
realmente
Um pouco de nossa atual Vida, restará para a próxima - pela
meditação, nos auto-conhecendo, isso refletirá em nossa
alma para nos ajudar a que viemos - e isso pouco estará
de acordo com o que os outros digam sobre nós...
Nossa Alma compreendida, é a mesma coisa que PAZ e então
o Espirito será nosso Templo o tempo todo...

quinta-feira, 28 de junho de 2007


Um lugar para mim


Foi escolhido
um lugar para mim

Diziam que eu tinha
uma alma pura,
mas um carater cheio de serpentes...

Assim,
a cuia com o alimento para os Mestres,
ficaria guardada no Templo
.. a minha espera,
...a minha espera...

Eu vim busca-la, um dia
m´a devolveram
- sem me perguntarem que estrada
tomaria para a volta,
que caminhos sombrios
ou
claros, percorreria...

Meu lugar ainda está vazio,
- a minha espera...
- enquanto me distraio com as
serpentes de meu carater...
Hinduismo


O hinduismo é uma das religiões mais antigas do mundo que chegou aos nossos dias. O que o diferencia de outras religiões é por não haver elaborado um credo sintético ao que seus adeptos possam se referir de forma concreta. As normas que respeitam os hindus se conhecem de maneira geral e se acham dispersas em inumeráveis obras de conteúdo filosófico. Não existe um único livro de referência.

As noções que compartilham os hindus sobre o universo e seu funcionamento são as seguintes:

Os "Vedas" são escrituras sagradas, as mais antigas do mundo. Esses hinos são a palavra divina e a base do hinduismo.

Existe um Ser Supremo imanente e transcendente, que é criador e criação.

O universo está sujeito a ciclos infinitos de criação, preservação e dissolução.

Todo o universo está sujeito ao "karma", a lei de causa e efeito, mediante a qual cada ser individual cria seu próprio destino através de seu pensamento, suas palavras e suas ações.

As almas encarnam em diferentes nascimentos até que todos os seres cumpram seu "karma" e tenham alcançado o conhecimento espiritual e a libertação do ciclo de existências.

Os seres divinos existem em mundos que não conhecemos e podemos entrar em contato com eles mediante adoração em templos, nos rituais, nos sacramentos e na devoção pessoal.

Para e evolução espiritual são essenciais as diretrizes de um mestre, assim como um disciplina pessoal, boa conduta, purificação, ritos e meditação.

Toda a vida em todas as formas é sagrada e deve ser respeitada e reverenciada.

Nenhuma religião é a única verdadeira. Todas servem para mostrar o caminho e todas merecem respeito e reverência.



OS VEDAS

Os Vedas são as escrituras sagradas hindús, reveladas pelo deus Brahma. É uma voz sânscrita que significa literalmente "a ciência". São textos da fase literária mais antiga de toda a literatura indo-européia, de fundo marcadamente religiosos e que abarca cerca de dois milênios (2500-500 a.C.). Consta de uma hinologia sagrada de elevada inspiração poética que mais tarde se complementa com obras de exegesis sobre a interpretação da palavra revelada e a prática do culto.

O "Rigveda" (a ciência dos versos) é a exposição do mais antigo pensamento religioso indiano, cuja concepção fundamental é um politeísmo naturalista. É o mais antigo monumento da literatura índia que foi conservado. Se trata de uma coleção ritual com caráter litúrgico simbólico, com mais de mil hinos que se cantam durante os sacrifícios ao panteão de deuses védicos. Neles aparece já maduro o denominado pensamento vedântico. é muito rico em conteúdo mitológico.

O "Atharvaveda (ciência das fórmulas mágicas) pertence a estratos populares indígenas e levam consigo um elemento de superstição. É um conjunto de sentenças em que prevalece a magia. Pode considerar-se o documento mais antigo da medicina hindu, pois são numerosos os conjuros contra as enfermidades. Se encontram ainda, poemas mágicos sobre a eleição do rei, hinos cosmogônicos, etc.

O "Sâmaveda" (ciência das melodias) é um manual para uso do culto e o canto litúrgico, uma recompilação de estrofes destinadas ao canto, composta especialmente para fins ritualísticos. Constitui o manual do sacerdote durante o sacrifício. É o tratado de que surge a música clássica hindu.

O "Yajurveda" (ciência das invocações) é um texto composto para a prática do sacrifício que contém súplicas, fórmulas sagradas, invocações e conjuros. É um modelo de liturgia.

Tampouco faltam hinos de caráter filosófico e cosmogônico. Uma seção inteira está consagrada ao culto dos mortos. São freqüentes as adivinhações, os enigmas e longas enumerações de nomes com as quais se invoca a uma divindade.

Os Vedas são considerados a fonte do "dharma" (religião, moralidade, retidão e boa conduta) e, um dos principais fundamentos do hinduismo.

Deve-se destacar a forma como chegou até nós, pois é um princípio que se transmitiu oralmente, passando de pais para filhos e foram criando-se linhagens de famílias especializadas neles.

Desde de criança. o filho do sacerdote começa a memorizar os hinos e ao chegar a idade adulta deve conhecê-los por completo. Para assegurar a fidelidade ao texto, são realizados complicados exercícios meno-técnicos como aprender o texto, em frases salteadas, etc.



DEUSES VÉDICOS


Os ários levaram à índia todo seu panteão de deuses da natureza e esses foram assimilados pelas culturas aborígenes e se fundiram aos deuses locais, enquanto foram mais tarde desprezados por novos conceitos e, na atualidade, seu culto foi relegado em grande parte pelo de Shiva e Vishnu. No entanto, seguem tendo vigência, como símbolos eternos.

Entre as principais deidades os panteão védico se acham as seguintes:

PRITHVÎ, a Deusa da Terra. É esposa de Dyaus e mãe dos homens. É símbolo de paciência e boa conduta.

ÂDITI, a Mãe dos Deuses. Simboliza o espaço celeste, o infinito. Se associa com a inteligência. É ela que abençoa as pessoas e o gado e um dos símbolos da natureza bondosa.

AGNI, o deus do Fogo, do lar e da família. É um veloz mensageiro que viaja entre o céu e a terra, o responsável por manter a comunicação entre deuses e homens. Encarregado de fazer chegar as oferendas de seus adoradores.

BRIHASPATI, a divindade védica do Sacrifício. É a divinização do sacerdote e Senhor da Oração. Personifica a religião e a devoção e protege os homens piedosos, especialmente dos ataques de impío.

INDRA, o Rei dos deuses. É o deus do céu e das estações. Simboliza a força. Impera sobre as nuvens carregadas de chuva e raios. É o exterminador dos demônios e lhe é atribuída uma força imensa. Se mostra bom e liberal com seus fiéis, multiplica seus gados e lhes ajudam em tempo de guerra.



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CHANDRA, o deus da Lua. É o mestre dos homens piedosos e a fonte da vida. Personificou a Lua e depósito de "soma" o néctar dos deuses.

SÛRYA, o deus do Sol. Com duas de suas mãos benze a seus adoradores. Fertiliza a terra e destrói os demônio com seu fulgor.

MITRA, o deus da amizade dos contratos, É um deus tranqüilizador, bondoso, protetor das relações e dos atos honrados e regulares.

SOMA, deus das plantas e da vegetação, nascido das águas ou da chuva. Se acha intimamente ligado aos processos de procriação, crescimento e transformação, tanto das plantas como dos animais.

RUDRA, o deus védico da tempestade. Originalmente era o protetor dos rebanhos, mas depois se associou com divindades atmosféricas e finalmente se identificou com o deus aborígene Shiva durante o período pós-védico. Personifica os diversos ventos.

PRAJÂPATI, um deus criador assimilado logo na personalidade de Brahma. É uma abstração sem personalidade, a essência divina. Era considerado o homem primordial ou ser cósmico, "purusha", que existia antes da formação do universo. ´É o criador de deuses, homens e demônios, e de todos os mundo e tudo que esses incluem.

PÛSHANA, um deus védico, divindade do crescimento e da prosperidade. É o deus do gado. Se põe em relação à todos os seres humanos, conserta os matrimônios, assegura o alimento, conduz os viajantes e ajuda a encontrar objetos perdidos.

VÂYU, o deus do vento, que simboliza o sopro cósmico.

VARUNA, o deus das águas, das leis cósmicas e morais. Controla os elementos do tempo: chuva, tormentas, rios e águas. é um deus de caráter moral, castigador do malvado e protetor do necessitado. É o guardião do rito e da lei cósmica, aquele que sempre está tento as transgressões humanas.

YAMA, o deus da morte e soberano dos infernos. Também se denomina Kâla (o tempo). É identificado com Dharma, a personificação da justiça.

KUVERA, o deus das riquezas. Está associado principalmente com a terra, as montanhas e tesouros de pedras e metais preciosos do subterrâneo. É o protetor dos viajantes.



A TRINDADE HINDU



Durante a época pós-védica surge a noção de "TRIMÛRTI", voz sânscrita que significa "três formas". É a trindade hindú ou três formas do divino. É a manifestação do Absoluto para dar lugar ao mundo fenomênico. Está integrada pelos deuses Brahma, Vishnu e Shiva, que representam respectivamente as funções de criação, preservação e destruição do universo.

BRAHMA, é o deus criador do universo, a primeira pessoa da trimûrti. É o regulador do universo e a alma do mundo. Personifica a inteligência e é o mestre de todas as criaturas. É o mais antigo de todos os deuses. É pai de todos os deuses menores. Vive em Brahmaâloka, paraíso situado nos montes Himalaia. Antes de criar o mundo, Brahma estava sentado sobre uma flor de lótus, em atitude de meditação. Se traslada no espaço e no tempo sobre um cisne divino. É representado com quatro cabeças coroadas que olham os pontos cardeais e que se interpretam usualmente como a paternidade dos quatro Veda. Apararece como um homem vermelho, com quatro braços que carrega os Veda, um rosário, uma colher de sacrifícios, que representam a espiritualidade, e uma concha ou recipiente com água do sagrado rio Gangâ, o Ganges, que simboliza a prosperidade e a abundância. Aparece com a barba, que lhe dá a aparência de um ancião sábio e compasivo.

VISHNU é a segunda pessoa da trimûrti. É o princípio conservador. Simboliza a água. É o deus que conserva e protege ao universo, que encarnou e encarna na terra. Considerado o benfeitor e restaurador de tudo que existe. Aparece como jovem vestido com atributos reais. Suas dez encarnações são: Matsya, o peixe que, durante um dilúvio, salva a vida do primeiro homem da era atual; Kûrma, a tartaruga que empresta sua carapaça para que esta sirva de apoio e os outros deuses possam bater o oceano de leite com o fim de extrair o "amrita", o néctar da imortalidade; Varâha, o javali que salva a terra exterminando os demônios cujo peso fazia que se afundassem nas águas; Narasimha, o homem-leão, que destrói o demônio Hiranyakashipu; Vâmana, o anão, que arrebata o demônio Mahâbâli a terra, os céus e os mundos inferiores dos que se havia apoderado; Parashurâma, quem extermina a quase toda a casta dos guerreiros, que havia degenerado; o príncipe Râma, símbolo de dever e protagonista do Râmâyana, quem resgata a sua esposa Sîtâ e vence ao rei dos demônios; Krishna, o auriga (alma racional) do príncipe em Mahâbhârata, quem transmite aos homens a sagrada escritura de Bhagavad Gîtâ; Buddha, o iluminado, símbolo da compaixão e do entendimento; e Kalki, encarnação por vir, representada por um príncipe sobre um belo cavalo branco, que aparecerá ao final da atual etapa do mundo para castigar e premiar. Antes da criação os mundos vive sobre o oceano eterno. Habita no paraíso chamado Vaikuntha. É representado na cor azul, com tripla coroa e um diamante no peito. Tem quatro braços, portadores de seus atributos: um caracol marinho cujo som nas batalhas semeia confusão, um disco arremessador, uma clava e uma flor de lótus.

SHIVA é o princípio destruidor e a terceira pessoa da trimûrti. Simboliza a energia masculina. É a terceira emanação do Absoluto como deus destruidor e, as vezes, fertilizador. É venerado como Mestre das verdades últimas, como Senhor do Tempo e da Morte. Seu símbolo é o fogo. Aparece em tempos anteriores ao vedismo, simbolizando a atividade cósmica no sentido mais amplo, a meditação que cria com a força do pensamento e a dança que imprime o ritmo vital ao universo. Seu nome, Shiva, significa benevolente. Vive em Shivaloka, um paraíso situado no monte Kailâsa. Em seu aspecto destruidor tem um tigre ao seu lado. Se alimenta de lágrimas e fogo, vomita sangue, está armado de dentes agudíssimos, veste um colar de crânios humanos e serpentes se enrolam no seu pescoço. O Shiva fertlizador carrega entre as mãos uma serpente e uma flor de lótus. Se apresenta com quatro braços. Possui um terceiro olho na metade central da fronte , símbolo da onisciência. Em seu cabelo há uma lua crescente. Sua arma é um tridente.



Praticamente não existe na Índia o culto à Brahma. Vishu e Shiva, ao contrário, são os deuses mais queridos em todas as suas formas e manifestações. Por motivos classificatórios se estabelce culto vishnita como distinto do shivaíta. Porém, há de dizer-se que todos os mitos cosmogônicos tendem a reforçar a idéia de que não são deuses diferentes, mas sim manifestações distintas do mesmo princípio. Os templos vishnuitas incluem santuários menores para Shiva e vice-versa, sendo que em nenhum momento os deuses, nem seus partidários, entram em conflito. A devoção por uma ou outra forma da divindade não responde mais que umas preferências simbólicas ou estéticas, pois são a essência do mesmo deus.



OS MANDAMENTOS HINDUS

No hinduismo o dever religiosos, o "dharma", é um conceito pessoal e que pode variar segundo as circunstâncias. No sistema filosófico do Yoga encontramos dez "yama" (restrições) ou normas éticas e dez "niyama (obrigações) ou práticas religiosas recomendadas.

Os dez yama, que definem os códigos de conduta mediante os quais controlamos nossos instintos e cultivamos as qualidades inatas da nossa alma, são os seguintes:

1. "ahimsâ" (não violência), que consiste em não causar dano aos demais mediante pensamentos, palavras e ações;

2. "satyâ" (verdade), evitar a mentira, a falsidade e o engano em todas as suas formas;

3. "asteya" (honestidade), abster-se do roubo, da fraude e do endividamento;

4. "brahmachaârya" ( conduta divina), praticar o celibato enquanto estiver solteiro e, em vida marital, evitar as relações ilícitas;

5. "kshamâ" (perdão), evitar a intolerância, o rancor e a impaciência;

6. "dhriti" (estabilidade), vencer a indecisão, o medo, a volubilidade e a falta de perseverança;

7. "dayâ" (compaixão), eleiminar a crueldade e insensibilidade ante ao sofrimento de outros seres;

8. "ârjava (retidão), evitar todo o tipo de más ações;

9. "mitâhâra" (frugalidade), comer com moderação e evitar todo tipo de excesso que cause mal ao corpo;

10. "shaucha" (pureza) evitar as impurezas do corpo e da mente.



Os dez niyama que resumem as práticas essenciais que observamos e as virtudes e qualidades que devemos buscar são essas:



1. "hri" (arrependimento), a lamentação dos erros cometidos e o propósito de evitá-los;

2. "santosha" (contentamento), a busca da alegria e da serenidade na vida;

3. "dâna" (caridade), o ato de dar aos demais e ajudar os necessitados;

4. "âstikya" (fé), a crença firme em Deus, em deuses, e nos mestres;

5. "ishavarapûjana" (adoração), adoração à Deus mediante oferendas e meditação;

6. "siddhântashravana" (atenção religiosa), escutar, recitar e estudar textos religiosos ou de aperfeiçoamento espiritual;

7. "mati" (cognição), desenvolvimento de uma vontade e um intelecto dirigidos à temas religiosos;

8. "vrata" (voto), o cumprimento rigoroso dos votos e das práticas religiosas estabelecidas;

9. "japa" (recitação), a prática da oração e repetição das fórmulas sagradas;

10. "tapas" (penitência), a austeridade e a auto-imposição de penitências e sacrifícios.



Texto pesquisado e desenvolvido por


ROSANE VOLPATTO



Bibliografia consultada:

La India Mágica y Real - Enrique Gallud Jardiel

Historia de la cultura oriental - Hermann Boekhoff

An Introduction to Hinduism - Gavin Flood

terça-feira, 26 de junho de 2007


Nadu


Nadu pode não ser uma pessoa

Mesmo na Terra,
Nadu pode se desconcentrar,
criando com elementos
de outro plano.

Os elementos são outra coisa,
e só podem criar "outra coisa"

Talvez seja arte

As Baiaderas dos Templos,
criavam gestos atribuidos aos deuses
...assim era permitido
e os que assistiam,
podiam completar esses gestos
em sua imaginação,
porque pela dança,
tinham sido transportados
Ao Mundo Vibrátil dos Deuses

O Plano de que
ninguém quer sair,
porque se manifesta com o mais IMO
da pessoa,
aquele Imo que nem o amante,
com todo o Amor,
conseguiu criar

Os deuses têm o segredo
de nosso Imo

Nosso Imo, nossa Revelação,
o Reconhecimento dos Deuses,
apesar de não durar um centesimo de segundo,
pois a Perpetuosidade
é reconhecida pela Perpetuosidade,
e se esquiva da danação do Tempo.



SELEÇÕES 1968

Um exemplar de Seleções do R. Digest, ano 1968, con-
tinha uma reportagem sobre Herculano, a cidade so-
terrada em 76 D.C. pelo vulcão Vesuvio.

Meu pai me disse uma vez:
- Por que é que voce tem atração por coisas antigas?
Isto não é normal...

Para mim amar "coisas antigas", é uma arte - como se
eu fosse compositora em violão ou piano.
Eu viajava em imaginação pelas antiguidades, sonhando
com o que pudera ter acontecido ali, ha muito anos...

O arqueólogo, acho eu, vive mesmo um pouco fora da
realidade atual: ele tem a possibilidade de descortinar
uma existencia passada.

Seria como, se do Espaço o arqueólogo revisse sua exis-
tencia terrestre e corrigisse como refazendo a pintura
de um quadro, todos os lances mal feitos durante sua
existencia ali.

De qualquer maneira, não é como o vinho, mas os arqueó-
logos fogem da existencia atual - ou vivem fora dela.

Eu adorei andar em imaginação pelas ruas de Herculano,
naquela reportagem.
A cidade ali descrita, tomava um pouco a caracteristica
grega, tornando o ambiente, de uma vida com o refina-
mento grego, misturado à elite romana.

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Uns quinze anos depois, acompanhada por um camera
de Tv, eu percorria Herculano.

Uma das paisagens mais belas, é a do Vulcão Vesuvio
como fundo ao longe da cidade.

Ao descer a passarela que conduz à cidade embaixo,
ainda em escavações, parecia que eu não suportaria a
emoção do sonho realizado.

A cidade, por sua aparencia distinta, parece mesmo um
trecho grego.
Misturando a cor escura ao vermelho típico da cidade,
dá-nos impressão de estarmos sempre acompanhados
pelas almas dos que ali morreram na catástrofe.

Porque é belo e triste.
Mas que deliciosa tristeza!

O calor era intenso e o vento levantava as ainda cinzas
do vulcão.
Foi por isso que eu curvei minha cabeça sob a bica de
bronze de uma das fontes que ficam nas esquinas das
ruas, e molhei meu cabelo e o rosto, pensando, quantos
não fizeram ali, naquela fonte, o mesmo gesto que eu!

Emoção maior, foi eu ter dado com uma das casas des-
critas no Seleções:
- ali estava ela, altíssima em pé direito, com colunas orna-
mentais a volta do teto, uma quadrado aberto no meio do
telhado que deixaria passar a água da chuva para uma
rasa piscina em meio ao atrium - o "pluvium".

Eu entrei no colhedor de água da chuva, sentei em sua
pouco alta borda, e erguendo o rosto para a claridade do
teto, fui fotografada pelo camera, numa das fotos mais
amadas que tenho!

domingo, 24 de junho de 2007


Para Maria Eugenia


Teu rosto é tão lindo,
tão puro,
nem uma imagem ataviada
com seus mantos bordados
a ouro,
chega aos pés de tua
beleza árabe
como o luar sobre o deserto

Tudo o que tocas,
o que fazes,
é como um toque de fada

Imagino o homem que amas...
ele tem muito do Céu
que cobre a Terra
e um escrinio de joias-
das quais ainda todas ele não
conhece...

O Mundo que darias
ao homem que amas...
E fosse ele quem fosse,
"C´est mon homme"
como diz uma canção francesa

porque criarias uma
Vida Toda
para Ele



QUE AS LAMPADAS DO TEMPLO FIQUEM ACESAS


A chuva fina que caiu durante todo aquele dia de Domingo,
transformou-se em trovoada na tarde que logo veio.

A tempestade trouxe um vento amargo que entrou pela
porta da frente do Templo, apagando as lampadas cui-
dosamente zeladas.

O povo teve coragem de se aproximar do corpo da baia-
dera, estirado ensanguentado no fundo da nave princi-
pal, junto à escada que confuzia para as escavações
no rochedo.

A Tempestade mantinha ainda claro o fundo da nave,
com a escuridão que avançava, apagando as lampadas
desde a porta.


No dia seguinte, diante do Templo, sobre a terra molhada,
o corpo esfaqueado, amortalhado, jazia sobre um estra-
do de galhos quebrados.


A Morte, envolta em paixão, se escondia atrás das está-
tuas que sustentavam o alpendre da entrada.

Traziam flores que colocavam sobre o corpo.
Ninguém via o espírito da devadase, sacerdotisa e dança-
rina que da entrada do templo, olhave se a nave sagrada
estava com todas suas lâmpadas acesas...

sexta-feira, 22 de junho de 2007




OS SONS MISTERIOSOS DA CACHOEIRA

Não era uma grande cachoeira.

O ruido de suas águas se espalhando do alto sobre
a superfície fingidamente de espelho d'água, gerava
um som permanente, constante, de mil coisas ao
mesmo tempo.

Podia-se perceber murmúrios misturados aos sons
que a voz humana jamais poderia imitar.

Aquele som constante alí, na pequena clareira, dia e
noite, sem parar, transformava esse pedaço de mata
numa abóboda de mistérios iniciáticos dentro de um
Templo de Magia.


Perguntava-se e respondia-se aos sons misteriosos
- que, só em observar, não eram sempre os mesmos -
mas de miríades de acontecimentos tão numerosos
quanto os do firmamento na sua troca troca de ele-
mentos siderais.

quinta-feira, 21 de junho de 2007


TUA ALMA


Eu a procuro
e temo que tua alma me fuja,
como quando eu a abraçava
com ciumes e desconfiaça
de que você me fugisse.
Como acreditar que era verdade
todas as tuas juras de amor,
e de que tuas caricias
eram mais um pedido de que eu
sempre estivese ao teu lado?

Para eu sempre ser de ti,
abria meu corpo,
como se retirando de dentro dele
minha alma apaixonada,
te destrossasse
com um amor do qual jamais
escaparias
pois na magia do Eter
estava toda a historia do meu eu
e do teu eu
e só desejava ter em mãos
teu destino,
tua Alma
em meu Ser
para todo o sempre,
para o Nunca Mais,
Amor!

OS COCHES E OS GATOS

O que é hoje o Museu Histórico, antes foi uma fábrica
de artefatos de guerra.

A construção é rústica e agradável de se habitar nela.
Baseada quase toda em pedra de cantaria, tem o chão
das antigas oficinas em lages e hoje os salões que abri-
gam as recordações historicas do tempo do Império, é
assoalhado em madeira.

Mas é da sua parte de pedra, que quero discorrer.

Por uns tempos, o Centro de Arqueologia Brasileiro,
alí se reuniu para as palestras, reuniões e aulas.
Como eu pertencia àquele Centro, certa noite fui lá.
Comecei a caminhar pelas galerias de pedra, desnor-
teada, pois não sabia onde estava a que nos fora desig-
nada.
Foi aí que levei um terrivel susto.
Já estava amedrontada, pois corria entre os componentes
do Centro, que o prédio do Museu, era assombrado.
Ademais, me guiava por pontos de luz, pois as gale-
rias não tinham luz ligada - aquela parte estava em obras,
assim como a imensa galeria dos coches imperiais.
Tateando nos Coches, eu me guiava para sair dalí.
Estava tão amedrontada, que imaginava que um louco
ou tarado fosse me agarrar.
E não era para menos... assustados comigo, os ga-
tos que estavam dormindo e morando nos Coches, gri-
taram e correram espavoridos - como fazem os gatos quan-
do estão dispostos a gritar.
- Fiquem quietos, não vou fazer mall à ninguém...
Amo voces!
E ao mesmo tempo, eu estava assombrada era como dei-
xavam animais de unhas afiadas, dormirem sobre os
acolchoamentos de seda e centenários, das carruagens
imperiais.
Enfim, numa belíssima sala de pedra, colonial,
achei a "minha turma".

É uma belíssima jóia, a confecção da pedra rústica
e pesada, as salas que abrigam passos, a filigrana que
confecciona o barroco dourado das carruagens, e o grito
felino daqueles que na época não eram ainda os animais
que haveriam de adornar as alfombras dos palácios.

terça-feira, 19 de junho de 2007


La Danse Sacrée - Louis Frederic


Enquanto um outro autor, Chidambaram Mounmai Kovil, indica:

"...O meu Deus, Tua mão segurando o tambor sagrado ordenou
o Ceu e a Terra e os outros mundos, superiores e inferiores, tanto
como as inumeras almas que os habitam. Tua leve mão protege
a ordem consciente e a ordem inconsciente de Tua Criação. Todos
esses mundos são transformados por Tua mão portando o Fogo
divino. Teu pé sagrado, firmamente plantado sobre o solo, indica
um lugar onde as almas fatigadas se debatem nos transes de uma
casualidade inevitavel. Mas é teu pé erguido que dá a esperança
de uma beatitude eterna para todos os que se aproximam de Ti
com olhos de extase. E tua dança, Tuas cinco divines ações são
Tua obra..."

E Ounmai Villakam conclui:

"... Os verdadeiros sabios destroiem o triplo liame e se encontram
logo que seu Eu é destruido. Então eles contemplam a dança
sagrada e são repletos de beatitude..."

Com efeito, a concepção hinduiste do mundo terreno do jogo dos Deuses,
onde sua dança produz a vida e a morte, é bem ilustrada por essas duas
concepções identicas da Divindade, Shiva de uma parte, e Kali, sua replica
feminina, de outrra.

E, paradoxalmente, a dança de Shiva é ele mesma a Divindade, os gestos
são o ser mesmo que se realisa através deles, estes estando, no primeiro
comando, sem significação e sem objeto, proprio da natureza transce-
dental da Divindade tendo de existir por Ela-mesma e nÉla-mesma, as
vezes Realidade e Não-Realidade, criação e destruição, nascida d´Ela-
mesma, existindo além do reino do objeto.

Esta dança eterna, cosmica, identificada com os cinco atos primordiais,
é também associada aos cinco sons divinos que formam o nome de
Deus: Shi-Va-Ya-Na-Ma (Sivayanama, o nome sagrado e secreto do
Senhor dos Tres mundos), nome que representa as letras consagradas
da filosofia hindu, o Panchakshara. Este ultimo, por si, se identifica com
o Arco Santo, Omkara, e o simbolo mistico Om, o Arco representando
o mundo material e visual, Prâkriti, no seio do qual se encontra a alma,
simbolisada por Om. Estando assim a mesma coisa o homem material
e o homem espiritual, Ele se transforma na Consciencia universal,
o grande Puruscha...



O VARAL DE ROUPAS

Eu ainda era uma mulher jovem.
Descia num elevador, quando ouvi a conversa de dois
homens:
- Ah! Eu acho lindo aquele varal de roupas, sustentado
por um bambú, nos quintais das casas!

Uma frase tão simples, que em si não englobava filosofia
que trouxesse apoio ao cotidiano da vida... no entanto,
me acompanhou esse tempo todo, nas horas alegres e
tristes.
Não eram os ditos tradicionais bíblicos, védicos, hindús,
gregos, budistas... era apenas a imaginação do que a
vida nos trazendo acontecimentos dos quais às vezes
suspeitamos que fosse um punhado de flores com uma
faca traiçoeira dentro, me fazia vislumbrar um varal
de roupas coloridas, num quintal amigo, que o vento
movimentava em uma situação que nada era, nada di-
zia... mas descansava minha mente.

Quem sabe, fazia parte do meu eu psíquico, as bandeirolas
coloridas de pano ou papel, que em varais intermináveis
oscilavam aos ventos do Himalaya?

Também podia reviver a cena de uma mãe chorosa pela
morte da filha mais velha, retirando de grande tacho de
cobre, roupas coloridas, que pendurava num varal tris-
te como o prolongamento de uma veia de sangue, ao
vento c restante do sul da India!

Um varal de roupa lavada, cuidadosamente enxaguada
de sabão perfumado, é a única verdade da nossa vida
composta de ilusões e desenganos - porque somente
num pano desses, seco ao vento, voce pode mergulhar
seu rosto com total confiança e despreendimento, e
chorar - seu verdadeiro choro de consolo por toda uma
existencia sem aquela resposta que voce mais desejara!

sexta-feira, 15 de junho de 2007


Em Peregrinação


Minha Alma passeia
pelos Templos do Passado

Todo o Passado
é um permanente e grande Templo
...é onde me refaço... me recomponho...
...onde sou...

Os Irmãos do Passado
não me receberam mais
- nem entre eles...
nem em salas míticas, para mim

Por isso vagueio às noites,
"Alma Penada",
pelas Criptas, pelas salas de pedra
nas ruinas dos Castelos...

Nas muretas, ao Luar,
sou companheira das corujas, dos morcegos,
que batem suas asas escuras,
enquanto eu, que não tenho asas,
trafego pelo Espaço
meu corpo amortalhado,
sempre pela Morte,
o único Templo aberto para mim

quinta-feira, 14 de junho de 2007


Jalousie


O pior sofrimento
do Amor

Veneno terrivel,
que estraçalha
o Sentimento que deveria
ser Eterno
e no entanto é
a Verdade do Amor

quando nos atiramos na fogueira
não sentimos as labaredas...
estamos acima das chamas
mas, em confronto
com a Eternidade,
destruimos
o principio e o fim
pois somos
a Confirmação
dentro da
Destruição

quarta-feira, 13 de junho de 2007


BAMBUS


O próprio bambu é como um cálamo ou um pincel
verde para imprimirmos o poema que ja vem delineado
pela moita magnífica, que é uma touceira grande de
bambu.

É uma planta asiática e tropical, que tem várias aparen-
cias: com o bambu gigante, faz-se telhados e calhas
para a água
ha um bambu miudo, de touceiras delicadas, e
o bambu japonês que enfeita os buquês
de flores

Maria Eugenia Seize, minha amiga, que viveu tres anos
no Japão, me informou que o nome do bambu em japo-
nês é takê e em chinês, chiku, pronunciando-se a gra-
fia "chi", como ti. Também, tendo ela visitado o
Vietnam, me relatou que lá, conseguiram transformar a
forma arredondada do bambu para plana, em várias
serventias.
Tanabata - é uma lenda japonesa, também relatada por
minha amiga, em que um principe e uma tecelã apaixo-
nados, tiveram suas vidas separadas pelas familias,
devido a diferença de classes sociais. Então, no dia
7 de julho, as duas estrelas que representam os
amantes, têm o seu encontro quando a alma deles cami-
nhando sobre a Via Lactea, torna possivel a sua união.
Por isso, os namorados escrevem seus nomes em papéis
que peduram nos bambus para lhes trazer sorte.

Aliás, o bambu - nome proveniente do malaio, tem lenda
no Brasil de que traz sorte e prosperidade.

Na China, seguindo a tradição de uma escola para pintar
bambus, essa maravilhosa planta é pintada em telas de
papel de arroz, e sobre seda e charão, e na porcelana.


Como a lenda de Tanabata, não posso ficar longe do
bambu por muito tempo... Sem que me de conta, quando
o reencontro num sítio que visito longe do meu
cotidiano, a surpresa me traz:
- Como pude ficar tanto tempo sem te ver...

terça-feira, 12 de junho de 2007


ESPAÇO?


Sim, isso largo, imenso, sem fim, é Espaço?

Por que para nós tudo é restrito a pequenos lugares,
só onde podemos divisar?

Aos Olhos, está confinado o Espaço.
Aos cegos, a percepção imposta pelos do mundo - e essa
percepção vai-lhe também restringindo o Espaço.

Se ao nascer, um personagem tivesse tido a revelação da Liberdade,
e se, ele nasce cego, surdo, como transmitir ao redor o que ele
experimentou, dependendo agora dos Sentidos?

O que depende dos homens é uma prisão.

Os seus grandes feitos, pontes magnificas, monumentos maravilhosos,
invenções que ultrapassam as limitações do cérebro, a Intuição, em
muitos aspectos, e em tudo isso, o homem não compreendeu a
Liberdade.

Acima de sua cabeça, o Ente, o Ser, contempla uma galáxia iluminada,
um Esplendor! Ele sabe que existem outras galáxias, num Universo
Infinito, e nem assim, Ele, tem a mais leve noção do que seja a
Liberdade!

domingo, 10 de junho de 2007


Conto


A Capela era dos anos 1700, em terras de tempo das Colonias,
em Minas Gerais.
Foram vários os vigários daquela ermida.
Construiram um porão no chão da Sacristia; descia-se por uma
escadaria de pedras toscas e la se guardavam arcas com
valores e papéis de importancia.

A ermida abandonada e saqueada, ficou esquecida no tempo.

O ultimo padre, passou toda uma semana limpando o porão
da Sacristia - e nisso, o viu fazer Micaella, a ultima que sobreviveu
da familia Santa Maria dos Algarves.
Micaella andava pela Vila, suja, esfomeada, sedenta e doente;
ela beirava seus cinquenta e poucos anos e não mais a socorriam,
porque, corria a lenda de que ela era uma advinha e bruxa - por
isso, protegida pelos espiritos guardiães, ninguém percebeu quando
Micaella desceu a escada e escondida la embaixo, ficou por muitos
e muitos anos, transformada em meio esqueleto, só restando os
longos cabelos grisalhos.

Mas, os cristãos não percebiam nem se guardavam do espirito de
Micaella que rondava os casais recém casados, nem qualquer nativa
ou negra grávida - por mais de um século, Micaella voltara a caminhar
pelas ladeiras da Vila Colonial: as vezes, vivia mais tempo, por vezes,
expirava ainda criança, uma vez até deu a luz à um filho.

Um reporter, fazendo um historico da Vila, conheceu uma moça de lá;
era Nadir, com sangue branco, indio e negro.
Os olhos negros de Nadir, eram mais belos que o luar perpassado
pelas nuvens no Céu e sua boca desenhada como asa de borboleta,
era uma joia que não se conseguia olhar uma vez só.

Nadir era rendeira e bordadeira. O perfume de seu corpo rescendia
às ervas de lá e seu sorriso era um misterio.

O reporter namorou-a e prometeu quando se foi, de voltar e casar-se
com ela.

Passaram-se uns meses, Nadir entregou alguns vestidos prontos,
vendeu metros de renda e um dia viu um agrupamento diante da
porta da Sacristia da velha ermida - até a policia estava la.....
Haviam descoberto a lage branca que fechava uma passagem para
um porão: la embaixo, estava o corpo de carnes ressecadas e esqueleto;
- os longos cabelos grialhos, vieram, enrolados na mão de um dos
policias - de repente, a tarde clara, de atmosfera tão agradavel, se fez
escura, o céu se fechou, uma noite extra horario cobriu a Vila.
O corpo de Nadir, foi encontrado nas pedras da cahoeira e na noite do
dia seguinte, o Luar mais belo cobriu a cidade colonial...

sábado, 9 de junho de 2007



NA HISTÓRICA CHINA

O vaso de cerâmica, era antigo na casa:
passara de geração a geração.

Uns o trataram bem, outros, foram maus para com ele.

Teve ocasião em que ele ficou esquecido, por ser es-
curo e de cerâmica.
Foi numa época, em que até a casa foi esquecida.
Quando resolveram habitá-la outra vez, notaram que
precisava de obras e reformas.
A criada Azalea encontrou-o misturado a objetos que-
brados. Azalea gostou dele, logo que o viu. Era de bom
tamanho, a cerâmica de boa qualidade, tão boa, que
preservava sua umidade, garantindo assim um chá
com gosto concentrado.

Azalea lavou-o muito bem e desde o primeiro chá, fi-
cou famoso por fazer chás com sabor concentrado.

Quando se acrescentou o perfume do jasmim, então
foi um sucesso!

O pote enchia quatro bules de louça, e o chá era servido
sob a cerejeira, no jardim do Luar Encantado.

Os pássaros engaiolados, cantavam nas suas belas
gaiolas, sob o teto em beiral, do estilo pagode, do pavi-
lhão morada de Jade Vermelho.

Com a vinda da revolução, a familia se dividiu para ou-
tras regiões longe de Pequim, e novamente a casa fi-
cou só, invadida por andorinhas e rãs.

Azalea, enrolou o pote em panos seus, e carregando uma
trouxa com seus pertences, ficou na estrada a espera de
alguma carroça que quizesse levá-la para algum lugar.
Veio o carro do "Homem do Aluminino", o que levava pa-
nelas e colheres para os vendedores de comida de rua.

Azalea, seguiu sentada em meio aos artefatos de cozi-
nha, com seu pote querido no regaço.

E foi tudo além, porque ela casou com o filho do Homem
do Alumínio, e a familia daquele homem ficou famosa
na redondeza por seu saboroso chá.

E os pequenos deuses, estenderam mais um toldo de
seda sobre mais uma etapa de um destino sobre a Terra.

sexta-feira, 8 de junho de 2007





SELEÇÕES 1968

Um exemplar de Seleções do R. Digest, ano 1968, con-
tinha uma reportagem sobre Herculano, a cidade so-
terrada em 76 D.C. pelo vulcão Vesuvio.

Meu pai me disse uma vez:
- Por que é que voce tem atração por coisas antigas?
Isto não é normal...

Para mim amar "coisas antigas", é uma arte - como se
eu fosse compositora em violão ou piano.
Eu viajava em imaginação pelas antiguidades, sonhando
com o que pudera ter acontecido ali, ha muito anos...

O arqueólogo, acho eu, vive mesmo um pouco fora da
realidade atual: ele tem a possibilidade de descortinar
uma existencia passada.

Seria como, se do Espaço o arqueólogo revisse sua exis-
tencia terrestre e corrigisse como refazendo a pintura
de um quadro, todos os lances mal feitos durante sua
existencia ali.

De qualquer maneira, não é como o vinho, mas os arqueó-
logos fogem da existencia atual - ou vivem fora dela.

Eu adorei andar em imaginação pelas ruas de Herculano,
naquela reportagem.
A cidade ali descrita, tomava um pouco a caracteristica
grega, tornando o ambiente, de uma vida com o refina-
mento grego, misturado à elite romana.

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Uns quinze anos depois, acompanhada por um camera
de Tv, eu percorria Herculano.

Uma das paisagens mais belas, é a do Vulcão Vesuvio
como fundo ao longe da cidade.

Ao descer a passarela que conduz à cidade embaixo,
ainda em escavações, parecia que eu não suportaria a
emoção do sonho realizado.

A cidade, por sua aparencia distinta, parece mesmo um
trecho grego.
Misturando a cor escura ao vermelho típico da cidade,
dá-nos impressão de estarmos sempre acompanhados
pelas almas dos que ali morreram na catástrofe.

Porque é belo e triste.
Mas que deliciosa tristeza!

O calor era intenso e o vento levantava as ainda cinzas
do vulcão.
Foi por isso que eu curvei minha cabeça sob a bica de
bronze de uma das fontes que ficam nas esquinas das
ruas, e molhei meu cabelo e o rosto, pensando, quantos
não fizeram ali, naquela fonte, o mesmo gesto que eu!

Emoção maior, foi eu ter dado com uma das casas des-
critas no Seleções:
- ali estava ela, altíssima em pé direito, com colunas orna-
mentais a volta do teto, uma quadrado aberto no meio do
telhado que deixaria passar a água da chuva para uma
rasa piscina em meio ao atrium - o "pluvium".

Eu entrei no colhedor de água da chuva, sentei em sua
pouco alta borda, e erguendo o rosto para a claridade do
teto, fui fotografada pelo camera, numa das fotos mais
amadas que tenho!

quarta-feira, 6 de junho de 2007


O CAMINHO

Encontro com Ele

Quando o encontrei,
desejei ficar com ele
a Vida Inteira

mas, eu não conhecia a Vida,
não sabia segurar a Vida

Ele vinha com as filosofias,
eu, perdida, exilada da India,
queria reencontrar o Hinduismo

Ele não tinha o Hinduismo,
eu não tinha as filosofias

Partimos em direções opostas
enquanto Ele
percorria a Europa
e conhecia o Nepal

Eu fui para o Sul da India
orar diante de um altar selvagem
do Hinduismo
Ele, diante do Dalai Lama,
recebia o xale branco,
oferta do Budismo Tantrico Tibetano

No Altar Negro de Murunga,
diante da Selva do Tamil Nadu,
na encosta dos baixos rochedos,
uma flor espinhenta, acre, sangrenta,
nascia no meu peito

Do Norte,
ao Sul da Asia,
o xale branco do Tibet,
envolveu delicadamente
a flor selvagem do Hinduismo
e as mãos suaves do
Dalai Lama,
promoveram o reencontro,
e quase ao fim de nossa jornada,
estamos no Centro,
sem Começo e sem Fim

terça-feira, 5 de junho de 2007




QUE AS LAMPADAS DO TEMPLO FIQUEM ACESAS


A chuva fina que caiu durante todo aquele dia de Domingo,
transformou-se em trovoada na tarde que logo veio.

A tempestade trouxe um vento amargo que entrou pela
porta da frente do Templo, apagando as lampadas cui-
dosamente zeladas.

O povo teve coragem de se aproximar do corpo da baia-
dera, estirado ensanguentado no fundo da nave princi-
pal, junto à escada que confuzia para as escavações
no rochedo.

A Tempestade mantinha ainda claro o fundo da nave,
com a escuridão que avançava, apagando as lampadas
desde a porta.


No dia seguinte, diante do Templo, sobre a terra molhada,
o corpo esfaqueado, amortalhado, jazia sobre um estra-
do de galhos quebrados.


A Morte, envolta em paixão, se escondia atrás das está-
tuas que sustentavam o alpendre da entrada.

Traziam flores que colocavam sobre o corpo.
Ninguém via o espírito da devadase, sacerdotisa e dança-
rina que da entrada do templo, olhave se a nave sagrada
estava com todas suas lâmpadas acesas...

DUPLA VIDA


Se fosse possivel levar dupla Vida!

Aqueles que se recordam das Vidas Passadas... podem ter um
desses "cadaveres" no Espaço.

No cultivo do "cadaver", contemplando-o, sabem que ele é puro,
depurado, e o vêm com suas auras de Luz, cambiamento de
cores, e usam-no para levar suas meditações, suas preces,
aos Mestres que amam, e usam-no para receptacu-lo das
Graças do Infinito.

O cadaver, Mumia Sagrada, pode corresponder aos desejos
dos egipcios que assim conservavam seus mortos, para que
o Mundo do Planeta Terra, continuasse com seus
mortos cobertos de honrarias dos deuses, pelos trabalhos
misticos dos Sacerdotes.
Até pela cerimonia da Abertura da Boca, faculdade que herdaria
nas proximas Vidas, para se recordar das existencias passadas,
aTerra seria um reflexo sombrio, cristal escuro, refletindo um
Céu magnifico, dificil de ser compreendido.

O duplo etéreo, revestido da forma de nossos sonhos, com suas
cores iluminadas pelas energias dos Mundos Espirituais, seria
nosso consolo, companhia imprescindivel para a Vida Espiritualizada.

Se pudessemos fazer da alma do ser amado que a morte separou
de nós, essa "companhia" no Espaço, seria uma contrapartida
recompensada pelo desejo do Amor que tinhamos esperança de
não desaparecer - e o Amor pouco atrapalha no caminho da Iluminação -
as vezes cooperando com outro sintoma de revelação da Divindade.

Quantas Vidas, estará Beatriz para Dante, Laura para Petrarca,
Heloisa para Abelardo, nessa deslumbrante troca de Existencias
que são as vidas alternadas nos túneis da nossa Evolução
Espiritual?

segunda-feira, 4 de junho de 2007





VERONA

Surpresa para mim, foi o grupo se reunir para sair a
noite para comer melancia.

Ora, no Brasil, ninguém faz programa com melancia...

Mas foi uma bela noite!

Verona é bela porque tem sua antiguidade de bela,
sua quietude européia, o rio que corta a cidade e passa
sob as pontes centenárias.

Como não tem edifícios altos, o céu se desdobra sobre
o lugar como uma tela de seda azul, bordada a ouro.

Depois da melancia, nos sentamos nas cadeiras de um
bar, diante da Arena, a mesma construção do Coliseu,
um pouco menor, porém mais bem conservada; ence-
nam até Óperas aí.

Ainda bem que só depois que voltei ao Brasil, soube que
foram queimados vivos 200 cátaros na Arena, na épo-
ca de sua perseguição.

Não tendo a exuberancia escultural de Florença, Verona
tem as linhas retas e simples do medieval, mas é bela
milímetro por milímetro.

Vizinha de Veneza, a lembrança de Verona se caracte-
riza também pela água. A água do rio que a corta, e o
lago de Garda, que faz fronteira com outros paises eu-
ropeus.

À volta do lago, em Verona, ruinas de castelos medie-
vais, que também tiveram cátaros presos em suas
masmorras.

O lago é ornamentado em suas águas com rochas,
onde se deitam os banhistas - às vezes, até despidos.

E mansões, têm seus jardins terminando nas águas,
onde escadas ocultas entre as plantas, ~são as en-
tradas para as primeiras salas dessas casas.

Como Veneza, tem grandes praças e o silencio
comanda o lugar, pois esse silencio tem o poder de
dissolver qualquer barulho - permanecendo ele como
a verdadeira atmosfera da cidade,
a cidade das calçadas de mármore vermelho.

domingo, 3 de junho de 2007


A PRESENÇA E A METAFISICA


O senhor me faz um desafio:
me explicar sobre a palavra e a metafísica
Para o senhor, que é filósofo, discorrer sobre a
palavra, é fácil e sobre a metafísica, também,
pois a filosofia não perde o governo nos dois.
Mas eu não sou filósofa, e aberta somente para a
metafísica, piso no solo oriental, que apresenta
a desnecessária construção utilitária de qual-
quer pensamento condutor.

O oriente dá-nos a meditação como diálogo e tudo
o mais nesse âmbito e aspecto prescinde da
construção racional do homem.

O senhor poderá me orientar se existe uma posição
que mantenha o racicinio ocidental filosófico,
no desempenho do homem dentro da vida?

Ou, o que é "dentro da vida "?

sábado, 2 de junho de 2007


A Inspiração vagava como Espirito sobre a Terra.

A Brutalidade reinava no solo encharcado de sangue.

A Beleza estava nos pássaros, na Natureza, e nos Astros
que iluminavam o Planeta.

A Inspiração era Espirito e o Espirito é transcedental,
ainda que o Homem não sinta a sua passagem.
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O Espirito seguia a mão carnuda e maltratada que risca-
va com uma lasca de pedra, a parede de uma gruta fe-
dendo a carniça e cheiro de fumaça imunda.

Porque o animal riscado sobre a rocha, o animal de
pernas estiradas correndo ao vento quente da exala-
ção do Vulcão, teve seu dorso aprimorado com uma
sombra, uma segunda linha - uma linha que era artística -
espiritualizando a outra, que era o dorso da carne de
caça.

As fóças sujas do homem das cavernas, agora respira-
vam fino, porque sua alma, apegada ao coração surdo
de Espiritualidade, prendia a Inspiração numa tela bruta.

O Espirito reinava como um deus encarregado do des-
pertar das Almas.

E só a Inspiração, a Arte, seria necessária para fazer
nascer a Civilização.