sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Verona, caminho para a India.

Verona, caminho para a India.

Eu sempre fui muito aficcionada à leitura.
Também, apreciava filmes de arte, como a filmagem da historia de Romeo e Julieta.
Foi uma infancia e adolescencia voraz sobre peças de Shakespeare e outras historias da Literatura.
Com o término da segunda guerra mundial, muitos europeus vieram para o Brasil, refazerem suas vidas.
Uma dessas familias, veroneses, tiveram sorte com o emprendimento que escolheram: fotos ampliadas como telas gigantescas, que enfeitavam fundos de salas e ambientes de Bancos. Outra coisa que "pegou" muito na ocasião, foi ampliando quadros famosos e pintando-os depois por cima, dando oportunidade que pudessem ter obras famosas em suas casas.
Fiz amizade com os veroneses e ninei nos braços, uma linda menina que mais tarde, foi minha guia para a India.
Leslie Ronca, foi minha guia quando tinha 26 anos de idade, e naturalmente, partimos de Verona, norte da Italia, com seu dialeto diferente do italiano falado em Roma.
Fui para o Sul da India, pois no Sul poderia estar o Hinduismo do povo, sem o luxo dos palácios e fortes famosos, do tempo dos marajás. Interessante também, é que as provincias indianas tomadas pelos portugueses, Goa, Gamão e Diu, tendo a presença de
São Francisco Xavier, converteu grande parte da população do Sul, como a costa do Malabar, que também pode incluir Trivandrum, ao cristianismo. Eu me lembrava da encarnação passada na India, do Templo com montanhas baixas atrás - e foi isso que me orientou no seu "descobrimento". "Penei" muito na procura do meu templo. Duzentos e
cinquenta anos é um grande passado para o que na época era uma aldeia pobre e o templo mesmo,não tem a grandiosidade do templo de Menakshe, por exemplo - por fora, é uma maravilha em escultura, mas as naves por dentro, são pequenas. O alpendre fronteiriço do Templo, tem colunas que não vi mais em nenhum outro: cavalos empinados, tendo entre as patas de trás, figuras humanas. Mas, como ia dizendo, na procura do templo, eu fui à muitos orientadores de turistas e fiquei pasma eo verificar que eram cristãos.
- Mas, vocês são todos cristãos?
- Sim senhora; mas, tudo o que a senhora desejar sobre hinduismo, sou capaz de orienta-la.
Madurai, a Cidade Sagrada do Semen de Shiva, estava a seis meses sem chuva. A água vinda do sub solo, puxada com bombas, não fazia falta - se bem que ao prova-la, quase cuspi no rosto do garçon do hotel que m´a deu para provar: nunca pensei que houvesse uma coisa tão ruim como aquela água. Com uma temperatura de 50 graus, Leslie e eu, paramos de urinar. Leslie veio correndo para mim, aflita:
- Eu estou muito doente...
- O que você tem?
- Estou urinando uma poça amarelo escuro, do tamnho de um pires.
E eu respondi:
- Estou a mesma coisa, não se assuste: e estou me sentindo muito bem.
Com o calor intenso, o corpo humano reagiu, retendo o máximo que pôde de água no organismo.
O melhor mês para visitar a India, dizem, é Outubro.
Depois de localisar meu templo, chorar muito dentro dele nas minhas visitas, porque a maior lança invisivel que pode perfurar nosso corpo, é a materialisação do verdadeiro passado. Pode se equiparar ao nosso desencarne, quando regressamos ao plano que deixamos: o ambiente novamente visto, a lembrança da partida dalí para a Terra, com as promessas de que tudo iríamos levar "a bom temro", e as falhas cometidas, a fraqueza diante das provas... Fraquejamos mais do que triunfamos. Somos fracos, diante das Leis do Planeta. Em minhas lágrimas dentro do Templo, eu pedia perdão à Deus pela minhas falhas... e nem assim, me corrigí... ainda fiz muita bobagem... Mas o Templo me
deu força para me regenerar e continuar.
E depois de uma visita à cidade de Madras, voltamos para a Velha e tranquila Verona,
que na sua antiguidade e mudez, tanto tinha a me dizer...
Quando voltei ao Brasil, estarreci diante da Tv: Uma tempestade assolou Madurai, que foi
declarada "calamidade pública" - se eu tivesse ficado mais tempo lá, como poderia ter saido? E se não tivesse estado lá e nem escolhido a cidade, somente pelo impacto que tive ao ler num livrinho de turismo, este nome: "Madurai", teria me chocado aqui no Brasil, ao ouvir pela primeira vez: Madurai.
clarisse

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