terça-feira, 5 de junho de 2007




QUE AS LAMPADAS DO TEMPLO FIQUEM ACESAS


A chuva fina que caiu durante todo aquele dia de Domingo,
transformou-se em trovoada na tarde que logo veio.

A tempestade trouxe um vento amargo que entrou pela
porta da frente do Templo, apagando as lampadas cui-
dosamente zeladas.

O povo teve coragem de se aproximar do corpo da baia-
dera, estirado ensanguentado no fundo da nave princi-
pal, junto à escada que confuzia para as escavações
no rochedo.

A Tempestade mantinha ainda claro o fundo da nave,
com a escuridão que avançava, apagando as lampadas
desde a porta.


No dia seguinte, diante do Templo, sobre a terra molhada,
o corpo esfaqueado, amortalhado, jazia sobre um estra-
do de galhos quebrados.


A Morte, envolta em paixão, se escondia atrás das está-
tuas que sustentavam o alpendre da entrada.

Traziam flores que colocavam sobre o corpo.
Ninguém via o espírito da devadase, sacerdotisa e dança-
rina que da entrada do templo, olhave se a nave sagrada
estava com todas suas lâmpadas acesas...

Um comentário:

Nádia Jururu disse...

Estes textos são omuito bonitos. são da Clarisse Oliveira? Quem é ela?