sábado, 26 de maio de 2007





SAMSARA

Quantas vezes, voltando da praia, com a água salgada
colada ao corpo, fazendo-o mole e morno, me refresquei
com a água doce de uma cachoeira; assim aconteceu
em zona das lagoas de Iguaba Grande - o regato rolando
e espumando por sobre as pedras, passava pela mata
à beira da praia - e também - a volta do mar na zona da
Barra da Tijuca - e a retirada da água salgada com a man-
gueira de borracha do jardim, numa espreguiçadeira
à sombra das árvores, ouvindo o ruido dos insetos con-
tentes pelo verão.

No entanto, a roda do Samsara, que é o envolvimento
cármico, não deve deixar estas coisas agradáveis à pele,
impregnar nossa alma. Olhar o mundo como a tela onde
se desdobra a Vida: não participar dela, Vida, e sòmente
contempla-la.

Tornar nossa alma tão livre, que ela perpasse por entre
"as coisas" e não, até mesmo, através das coisas.

O perpassar pode se satisfazer da beleza das coisas,
tão bem e com a mesma saturação do embebimento
do agradavel - e no entanto não está se prendendo à
maravilhosa matéria.

Deliciosa maneira de viver Vida Eterna, a
cada minuto, a cada segundo
Eterno para o instante

Nenhum comentário: