sábado, 24 de novembro de 2007


A ENAMORADA DO PROFETA


De um pais a volta do Deserto, suplicando às
caravanas, ela chegou em terras de Jerusalem.

Esfaimada, maltripilha e sedenta, ela acompanhou
o povo que ia ouvir o profeta - porque ela tinha fome
e sede e em sua alma havia um sussurro de que
aquele ambiente lhe supriria as necessidades.

Em meio a multidão, mas se esgueirando por entre o
povo, a antiga "prostituta sagrada de um templo",
chegou perto do profeta.

Como mais tarde um escritor inglês descreveria,
o profeta era um homem de alta estatura para o seu
povo, com olhos negros e mansos e cabelos anelados
que pareciam formar cachos de uvas escuras...

A mulher em seu antigo templo, homenageava sua deusa
com o triunfo da sensualidade que se enroscava nos
intervalos das batidas dos tambores e o chocalhar dos
cimbalos, como uma serpente que deslizasse em maneios
de seu longo corpo sobre o chão de lages frias.

A mulher aguardava a palavra do profeta.
E ele veio; veio para o seu povo - o povo passava a ser "seu"
porque nas trevas de seus olhos negros ele os reunia num
Universo Cósmico imenso e dadivoso, como ja era sua alma
um Eco de Deus que ele desejava que ressoasse no Infinito
da Verdade de cada um.
E por mais que o profeta ocultasse os famintos da divindade,
como cegos, sentiam o odor do Amor.

A mulher peregrina não tinha tido oportunidade de ter reconhecido
em seu espirito, uma resposta que alguns poderiam procurar por
milhares de anos, tantos anos quanto eram os percalços da alma
ja formada diante do seu espirito que já era um deus.

A Lei da Atração faiscou quando o profeta se fez diante da peregrina:
- faltava um grão de areia de divindade para que ele não mais fizesse
parte do Karma da Terra - mas foi o bastante para que as galáxias se
desfizessem e se refizessem para que dois grãos minusculos da
traiçoeira humanização lhes desse sofrimento até os confins do
Universo.

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