sábado, 15 de dezembro de 2007


O QUE SÃO...


De familia, herdei um lenço bordado em cambraia de
linho - se estiver certa esta classificação para o macio
tecido branco, que sobrevive ha mais de cem anos, sem
uma mancha, sem um fio danificado...
Quem o bordou, com um trabalho de agulha e linha, tam-
bém em branco, trabalho quase microscopio, devendo
aos olhos magnificamente estruturados uma obra quase
impossivel, de hoje em dia, ser feita.
A autora do trabalho, Anna Lage, bordou suas iniciais no
lenço - sua filha, Clarisse Lage, foi conhecida na Sociedade
Brasileira, do sec. XIX, por ser casada com um almirante
e Senador, signatrio da Constituição Brasileira.
Clarisse Lage I. do B., morreu com cinquenta anos em 1919,
por aí ve-se o quanto tempo tem esse lenço...

O lenço está se transformando em um sério problema...
Quero deixa-lo preservado num Museu - mas qual?
Pensei no Hitorico Nacional, com suas carruagens estilo
Imperio - numa urna de vidro, com um pequeno historico
escrito...

Me vem a memoria, o caso do rico vaso chinês de um mos-
teiro budista... O mestre pergunta aos discipulos como
se proceder quando existe "um problema" que tem de ser
zelado e cuidado, como é o vaso...
Um discipulo se levanta com um pau e quebra o vaso...
Acabou o problema...
Acabou?
Quem disse que uma coisa "desaparece"?
Os pensamentos que rodearam o vaso durante séculos,
fazem parte da atmosfera sideral e poderão ter sido
aproveitados como complemento para uma energia cósmica,
útil num processo afim com "o caso", e agora mesclados
em um processo qualquer atuante na Criação...

O QUE SÃO ESSAS COISAS?
- são pétalas perfumadas de criações angélicas na imensi-
dão dos Universos...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007


O BONDE



Eram oito horas da manhã.

Eu estava num bonde que corria de Ipanema à Copacabana.

Que fazia eu, num feriado às vésperas do Carnaval, naquele bonde?

Eu fugia.

Eu deixava uma casa de dois pavimentos em Ipanema, na Rua

Principal, a Visconde de Pirajá, residencia de classe média média,

E corria ali, eu, uma adolescente de uns 14 anos, para o apartamento

De um só cômodo, onde morava meu padrinho de batismo, para....

Exclusivamente usufruir da companhia dele... o que hoje, chamaría-

Mos, "curtir".

Nesses dias de véspera de Carnaval, ele recebia muitas encomendas

De shorts e bermudas, que ele, um homosexual, costurava, passava,

Para aquela porção de boêmios da vida noturna de Copacabana –

Usar no Carnaval.

Vinham também, as coristas do "Teatro Rebolado" pedir uma

Retocada numa fantasia.

Sabem também por que eu estava alí? Porque "aquela gente" me

Chamava de "Clarissinha" e eram todos carinhos para comigo, por

Ser eu afilhada do "Gaspar".


Na hora de buscar uma comida na rua, lá embaixo, eles perguntavam

O que eu gostaria de comer, e meu padrinho, acrescentava:

Ela não come carne, é hindu.
Como "eles" já haviam visto de tudo na vida e também experimentado

Boa parte "dela", achavam isso perfeitamente natural, e sem mais

Perguntas, traziam o que eu podia comer...

Muito diferente essa atitude da de minha casa, onde os burgueses da

Classe média, abriam os olhos espantados e logo acrescentavam:

- Mas isso é muito mal, a carne tem proteinas!

E no Carnaval, eu resolvi sair vestida com o sarong listrado das

Baiaderas hindús – as "Prostitutas Sagradas".

E foi la no apartamento, que uma ex-corista, grávida de seu primeiro

Casamento, isto sendo uma realização para ela, criada num orfanato

De freras, conseguiu enrolar o sarong de forma que me desse folga

Para eu caminhar.

Dela mesma, já com a filha de uns dois anos, ouvi:

Separei-me de meu marido, porque ele trazia um homem para a
Nossa cama, afim de fazermos uma surubada. E eu então, pensei:

Se é para ser puta, que eu seja sozinha.
Mas ela teve um segundo casamento em que foi muito feliz e adotou

Outra filha.

Eu pensava naquela casa preconceituosa que eu deixava naquela

Manhã, tão cedo, eu, a esquisita Clarisse para eles...

E onde está esse bonde?

Talvez tenha morrido numa estação e os pedaços de seu "corpo"-

Levados para um ferro-velho, após o decreto de retirada dos

Bondes – ou...

No Espaço, para onde for um dia meu espirito, onde eu possa

Navegar nele sem fuga, com todos os espiritos que viveram a

Segregação moral, quando tinham muita tolerancia dentro de si

Mesmos por tudo que tiveram de suportar na Terra, dos

Habitantes da burguesia da classe média...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007


O PRESENTE É SEMPRE PASSADO


A Reencarnação não se prende jamais em teias
de lembranças.
Numa encarnação que vivi, ha tres mil
anos passados, hoje, a historia me mos-
tra fases por que passei; olho-as com
quase indiferença, a não ser pelo respeito
que toda historia de Vida, merece.

Pelo que ficou registrado dessa encarnação de
tres mil ano, quanto sofrimento, quantas manobras
de inteligencia e sagacidade foram empregadas...
E tudo isso hoje, é um registro de figuras esculpidas
e pintadas em muros.

Quem somos nós diante de um passado imenso?

O Tempo mastiga o que quer que seja Vida,
Existencia, engole o sofrimento e as vitorias,
cospe as nossas reservas e somos sempre novos
para outras experiencias.

Arranhamos a Eternidade com nossas garras,
e não sabemos retirar o dominio do Fluxo Eterno.
Que seja Ele, o Fluxo Eterno, masculino ou feminino,
o nosso Fluxo Eterno, não temos ainda um Espelho
para refleti-lo.

Quando não mais rastros de Vidas restarem para
que de novo reencarnemos, nosso Espirito está se
mirando em Espelho de outra Cosmogonia - e
agora é Outra a Face de Deus.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007



SETI I , O FARAÓ QUE FASCINAVA
AS MULHERES


Clarisse de Oliveira

Eu tenho uma amiga que esteve em Ábidos.


Estar em Ábidos, qualquer turista pode ter

estado lá – mas – passar por uma fenda entre os

Blocos do desmoronado Templo à Osiris,

Encontrar um campo com um capim que ela

Jamais tenha visto, ouvir o vento agitar esse

Capim num som parecido com cabelos de

Metal farfalhados, e por esse som de harpa

Assombrada, entrar em transe, não – jamais

Ouvi falar sobre e tenho a certeza – não

Ouvirei jamais; porque, quem recuperou um

Templo antigo, quase pré-dinástico, ali

Erguendo o fabuloso Templo à Osiris, foi

O Faraó Seti I, paixão da reencarnação de

Minha amiga no Egito.

Hoje em dia, ela é uma pessoa triste para

Todas as coisas, porque ante tudo, ela

Encontra a "falha" irrecuperavel de um

Desentendimento que houve entre os dois –

Assim, o mundo – no que ela chama de vida –

É como o planeta fendido – morando ela numa

Parte e a outra ela vê inalcansavel, sugada pelo

Cosmos...

Uns anos após te-la conhecido, me deparo com

A história de uma mulher de mais de setenta

Anos, que, sustentada por um andador para

Pode caminhar, passou a dormir num dos Templos

Vazios do antigo Egito, por pura paixão pela

Memória de Seti I, ali morrendo – dias após sua

Última fotografia – à porta do Templo.

Em relação à esse fato, minha amiga apenas disse:

Há! Como a invejo...!
A múmia de Seti I, revela um rosto belíssimo de

Homem, de cerca de 40 anos.

E qual é a verdadeira face do Presente?

sexta-feira, 30 de novembro de 2007


A CAMINHADA


Nos dias de festa, elas vinham; as mulheres da pequena

Aldeia.

A procissão saía do Templo mais tarde – às vezes, bem

Mais tarde, quando a Lua já ia alto.

Por isso, elas traziam comida e doces para a baiadera

Parente delas.

Porque assim, acompanhavam os andores mais bem

Alimentadas.


Mas nas tardes secas, sem festas e procissões, Nataja

Acompanhada do menino, o irmão mais moço que ficava

Com ela no Templo, e o cachorro branco, faziam a

Conhecida caminhada até a aldeia dos artesões.

As estrelas luziam festivas para a gloria da jovem mãe

Que embalava seu filho recém-nascido, e piscavam

Tristes para as casas que tinham moradores doentes.


A estrada de terra escura, ladeada pelo mato alto,

Escondia o tigre que assim acompanhava os passantes.

Se Nataja seguia com o menino e o cão, ela caminhava

O mais rápido que podia, com seus pés descalços.

Se encontrava um grupo de colhedores ou ceifeiros,

Ela se juntava à eles, pois o perigoso era o que caminhava

Sózinho atrás do grupo.

As presas do tigre, têm 10 cm de comprimento.

Abocanhando a caça pelo pescoço, o animal a arrastava

Por baixo de seu corpo com perícia, enfrentando o mato

E a galharia com tanta rapidez, que era impossível

Segui-lo.

Os grupos traziam gamelas de metal e colheres para

Assustar as feras, mas todo cuidado era pouco.

Quando um gamo assustado, saltava de um lado a outro

Da estrada, começava a batição dos metais para assustar

Pois algo perseguia o veadinho.

O grupo aproximando-se das choças e das casas de adobe,

Ia se dispersando e era imensa a alegria da baiadera

Quando avistava sua casa deixando ver os clarões do

fogo por entre as folhas das palmeiras.

.......................................

O que mais me espanta, é, por que com tanto movimento

No Templo, as danças, os tambores, os peregrinos que

Iam e vinham, as procissões, os bailados em volta da

Fogueira acesa, ficou a imensa

Estrada dominando minhas lembranças.

E foi a única coisa que desapareceu.


O Templo está lá – ainda existe diante dele uma praça

De terra batida, onde se poderia acender uma fogueira

E festejar e dançar.

Mas o casario da nova vida, cobriu tudo, formando uma

Nova cidade.

As procissões ainda saem à noite – iluminadas pelas luzes

Elétricas das ruas.

Pois – segundo se mantém até hoje –

Madurai é uma festa!

sábado, 24 de novembro de 2007


A ENAMORADA DO PROFETA


De um pais a volta do Deserto, suplicando às
caravanas, ela chegou em terras de Jerusalem.

Esfaimada, maltripilha e sedenta, ela acompanhou
o povo que ia ouvir o profeta - porque ela tinha fome
e sede e em sua alma havia um sussurro de que
aquele ambiente lhe supriria as necessidades.

Em meio a multidão, mas se esgueirando por entre o
povo, a antiga "prostituta sagrada de um templo",
chegou perto do profeta.

Como mais tarde um escritor inglês descreveria,
o profeta era um homem de alta estatura para o seu
povo, com olhos negros e mansos e cabelos anelados
que pareciam formar cachos de uvas escuras...

A mulher em seu antigo templo, homenageava sua deusa
com o triunfo da sensualidade que se enroscava nos
intervalos das batidas dos tambores e o chocalhar dos
cimbalos, como uma serpente que deslizasse em maneios
de seu longo corpo sobre o chão de lages frias.

A mulher aguardava a palavra do profeta.
E ele veio; veio para o seu povo - o povo passava a ser "seu"
porque nas trevas de seus olhos negros ele os reunia num
Universo Cósmico imenso e dadivoso, como ja era sua alma
um Eco de Deus que ele desejava que ressoasse no Infinito
da Verdade de cada um.
E por mais que o profeta ocultasse os famintos da divindade,
como cegos, sentiam o odor do Amor.

A mulher peregrina não tinha tido oportunidade de ter reconhecido
em seu espirito, uma resposta que alguns poderiam procurar por
milhares de anos, tantos anos quanto eram os percalços da alma
ja formada diante do seu espirito que já era um deus.

A Lei da Atração faiscou quando o profeta se fez diante da peregrina:
- faltava um grão de areia de divindade para que ele não mais fizesse
parte do Karma da Terra - mas foi o bastante para que as galáxias se
desfizessem e se refizessem para que dois grãos minusculos da
traiçoeira humanização lhes desse sofrimento até os confins do
Universo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007


Bastet sobre o Muro


Bastet é a Deusa Gata do Egito.

Bastet está sobre o muro porque não está envolvida
com as tempestades desordenadas do Cosmo.
As vezes as tempestades sopram muito acima da
Terra, como as variações do Sol transformam
a atmosfera do planeta, e sentimos nos designos
do Carma que uma corrente em inundação nos
arrasta.

O Logos é calmo como o Lago da Terra dos Deuses;
Mas o Cosmo tem suas variações...
Na atmosfera do nosso Lar, experimentamos os
ventos contrários, os incomodos das desavenças

Bastet como todo gato gosta de ser e se sentir livre.
Como deusa, ela não é afetada pelos transtornos da
atmosfera carmica terrestre.
Bastet atravessa a Região da Meditação, porque Bastet
se transforma em algo que não tem pernas, a
Independencia é a Alma do Comportamento da
Vida na Terra.

Bastet está sobre o muro: os desnivelamentos não a
atingem.